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O 4 abril 2018

Palmadas não ajudam na educação dos filhos

*Por Fabiany Lima

É bem raro encontrar alguém que nunca levou alguns tapas dos pais na infância. Por muito tempo isso era um hábito comum na sociedade, já que acreditava-se que a palmada era uma ferramenta de educação para os filhos. Aos poucos, os pais estão entendendo que isso é errado e não traz nenhum benefício real aos pequenos.

Só quem já foi pai ou mãe sabe que bater parece ser a situação mais fácil para resolver de vez algum problema. Quando você já tentou argumentar mais de 500 vezes e seu filho continua te desrespeitando, é difícil continuar apenas conversando. Porém, ter paciência é necessário porque não é na base da violência que a criança aprenderá a fazer a coisa certa.

Apesar de especialistas ainda divergirem um pouco nessa questão, é quase unanimidade que palmadas não são um bom caminho. Já existem estudos que mostram que crianças que apanham estão mais propensas a ter um comportamento antissocial, serem mais agressivas e desafiar seus pais. Os efeitos podem chegar a longo prazo, ou seja, isso pode ser fundamental no desenvolvimento delas como seres humanos.

A verdade é que, se pararmos para pensar, as palmadas são muito mais uma forma de “descarregar a raiva” do que uma tentativa de educação aos filhos. De forma geral, elas acontecem em momentos em que os pais agem por impulso e não raciocinam antes do que fazem. Olhando por essa perspectiva, a ação se torna ainda mais repugnante, já que não parece razoável descontar frustrações com o próximo na base da violência.

Ao invés disso, a melhor opção sempre é o diálogo. Sempre converse com seu filho e explique porque está reprovando a atitude dele. Repreenda na hora em que ele fizer algo errado, mas lembre-se de conversar sobre o assunto também em um momento futuro, quando todos já estiverem mais calmos.

Se achar necessário, “castigos educativos” também podem ser uma opção. Pense em “punições” que façam a criança refletir sobre sua atitude. Por exemplo, deixá-la em um canto por 10 minutos e depois ouvir dela um pedido de desculpa e uma explicação sobre a situação. Isso pode valer mais do que simplesmente tirar uma semana de vídeo-game, por exemplo.

Por fim, não esqueça de elogiar a criança quando ela fizer algo correto. Sei que, a princípio, isso não parece ter nada a ver com palmadas. Porém, o elogio é justamente um contraponto: as crianças aprendem melhor com reforços positivos do que negativos. Por exemplo, vale mais a pena elogiar seu filho quando ele comer verduras do que bater nele quando ele não quiser.

Portanto, existem meios muito mais eficazes do que a violência para educar as crianças. Palmadas nem podem ser interpretadas com viés educacional. Ainda que alguns digam que esse é um bom método, certamente essas crianças estão aprendendo na base do medo e não da educação. Tenha paciência e lembre-se que o diálogo sempre deve vir em primeiro lugar!

*Fabiany Lima é mãe de Gêmeas, escritora de livros infantis e criou o aplicativo Timokids, que oferece livros e jogos socioeducativos com ilustrações em 3D narrados e legendados em 4 idiomas e que estimula a interação da família.

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