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O 28 julho 2017

Dificuldades em diagnosticar crianças com TDAH.

Meu filho não para quieto nem para comer! É toda hora pulando de um lado para o outro, agitado, brincando, não se concentrando. Desde o instante em que se levanta até a hora em que vai dormir. Pula, sobe nos móveis, derruba as cadeiras que encontra pelo caminho, corre pela casa. Seu quarto é um verdadeiro caos. Espalha roupas e objetos, mesmo aqueles que não estão usando no momento, revira as gavetas, não fecha as portas dos armários. No colégio, então, é um terror. Sua agitação incomoda os colegas e prejudica os relacionamentos. A desatenção e a inquietude interferem também no rendimento escolar. Não termina as lições, comete erros grosseiros nos exercícios e redações, esquece conteúdos que dominava satisfatoriamente um dia antes, rasga a folha da prova de tantas vezes que apaga as respostas.
Geralmente, essas queixas caracterizam os portadores do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), uma doença que acomete as crianças, mas que pode prosseguir pela a vida adulta, comprometendo o desempenho profissional, familiar e afetivo dessas pessoas.

Crianças com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) – caracterizado por níveis excessivos de desatenção, hiperatividade e impulsividade, em termos de desenvolvimento – são mais frequentemente identificadas e tratadas no ciclo inicial do ensino fundamental. Estudos realizados no mundo todo revelam uma taxa de prevalência de TDAH equivalente a 5,29% – intervalo de confiança de 95%: de 5,01 a 5,56 – de crianças e adolescentes. As taxas são mais altas para meninos do que para meninas, e para crianças menores de 12 anos de idade do que para adolescentes. Estimativas de prevalência variam em função dos métodos de averiguação, dos critérios de diagnóstico utilizados e da inclusão ou exclusão de critérios de limitação funcional. Em termos gerais, as estimativas são muito semelhantes entre os países, com exceção dos países Africanos e do Oriente Médio, nos quais as taxas são mais baixas do que na América do Norte e na Europa.

Os sintomas geralmente interferem no funcionamento acadêmico e comportamental na escola, e frequentemente atrapalham os relacionamentos com familiares e colegas. Crianças com TDAH utilizam mais os sistemas de saúde e estão mais sujeitas a lesões do que crianças que não apresentam esse transtorno. Embora os sintomas de hiperatividade diminuam na adolescência, a maioria das crianças com TDAH continua a apresentar algumas deficiências cognitivas – por exemplo, funcionamento executivo insatisfatório, memória de trabalho deficiente – ao longo da adolescência até a fase adulta, em comparação com pares da mesma idade. Estudos de resultados identificam taxas menores de conclusão do ensino médio, início precoce de consumo de álcool e de substâncias ilícitas, e taxas elevadas de tabagismo e de acidentes de trânsito em meio a adolescentes com TDAH.  A hiperatividade na infância está igualmente associada ao surgimento subsequentes de outros distúrbios psiquiátricos, entre os quais ansiedade, problemas de conduta, transtornos do humor, comportamento suicida e transtorno de personalidade antissocial.  Adultos com histórico infantil de TDAH têm taxas acima do normal em relação a lesões e acidentes, dificuldades conjugais e no trabalho, gravidez na adolescência e crianças nascidas fora do casamento. TDAH é uma questão importante de saúde pública, não só devido às deficiências de longo prazo que afetam indivíduos e suas famílias, mas também devido ao pesado fardo que representa para os sistemas de educação, de saúde e de justiça criminal.

O especialista Mario Louzã deu algumas dicas e disse que depois de fechado o diagnóstico de TDAH, é preciso examinar se não existem outras doenças associadas. Nos adultos, as mais frequentes são ansiedade e depressão e o tratamento vai depender de como esses fatores combinam.

Nessa faixa de idade, o tratamento medicamentoso associado à abordagem psicoterápica ajuda a controlar a doença. O mais comum é prescrever psicoestimulantes (no Brasil há um único medicamento com essa característica) e alguns antidepressivos. Na infância, o tratamento é mais complexo e envolve frequentemente equipe multidisciplinar, pois requer também a aplicação de medidas pedagógicas e comportamentais.

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